quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A Megera Domada

Em clima de Cravo e a Rosa, novela que reestreou no Vale a pena ver de novo, resolvi resgatar de minha estante empoeirada um dos clássicos dos clássicos de Shakespeare A Megera Domada. Uma das mais famosas peças do mestre da dramaturgia é uma deliciosa comédia que relata os costumes de uma época e ressalta que no amor vale tudo.

Depois de tantos livros complexos resolvi que leria algo leve, mas não menos excelente e encantador. Passei a ultima semana muito atolada, queria aliviar minha mente e em um dia consegui esse feito lendo A Megera Domada, enquanto esperava num consultório a minha avó fazer um exame que mais parecia um trabalho de parto tamanho a demora.

Foram as melhores horas do meu final de semana, pois o resto é melhor nem comentar. Eu sentada num banquinho de uma clínica, toda desconfortável, revezando entre o livro e meu celular novo, presa no frio proporcionado pelo ar condicionado daquele lugar das 16 às 21hs de um sábado ensolarado no Rio.

A Megera Domada conta a história de Catarina, uma mulher que não pretende se casar achando que perderia sua independência e se tornaria submissa. Assim, ela afasta todos os que desejam se casar com ela de uma forma nada delicada, através de gritos e faltas de educação ela ganha fama de megera. No entanto, Catarina sente que desse jeito atrapalha a vida da irmã mais nova Bianca, que é o oposto da megera, meiga, delicada e gentil, pois seu pai, muito tradicional, só permitirá que a mais nova se case depois da mais velha.

Os pretendentes de Bianca, cientes da decisão do Sr. Batista Minola resolvem arrumar um pretende para Catariana, ai surge Petrucchio amigo de Hortêncio, um dos pretendentes de Bianca, que chega á Pádua a procura de uma noiva com bom dote para aumentar sua fortuna. Petrucchio ao saber da fama de Catarina e querendo ajudar o amigo resolve pedi-la em casamento disposto a domar a fera.

Paralelamente desenrola a história de Lucêncio, jovem rico que chega a Pádua para estudar filosofia e se apaixona por Bianca no momento em que a conhece e resolve fingir-se de professor para se aproximar de sua amada. Hortêncio, por sua vez, tem o mesmo plano, e juntos começam uma disputa indireta pelo amor de Bianca, enquanto que Trânio, fingindo ser Lucêncio a pedido do mesmo, e Grêmio, um velho, são oficialmente os pretendentes da moça.

O desenrolar da trama é repleto de bom humor, trapaças e críticas sociais, onde são levantadas diversas questões que demonstram o quão a frente de seu tempo era Shakespeare. O machismo de Petrucchio ganha um adversário a altura, a alma feminista de Catarina, que percebe que gritar não é a melhor maneira de ter suas vontades atendidas e ao concordar com o marido, mesmo que em coisas absurdas como quando ele diz que o sol do meio-dia é na verdade a lua, ela assume o controle.

Shakespeare também critica o casamento como um contrato social, defendendo o amor acima de tudo, argumentando que por amor se pode tudo e que no fim tudo dá certo, mesmo que por caminhos tortuosos, quando o objetivo é nobre. É mais ou menos assim: “os fins justificam os meios” ou “no amor e na guerra vale tudo”.

Cheguei à conclusão de que não gosto do Petrucchio de Shakespeare, não gosto da forma mercenária com que ele escolhe a noiva, não gosto do seu machismo e autoritarismo e muito menos de como ele trata Catarina, mesmo que tenha sido por um bem maior, sou muito mais o do Eduardo Moscovis em O Cravo e a Rosa.

Já por Catarina nutro um amor por identificação, não só com a de Shakespeare como com a de Adriana Esteves. Há muito percebi que gritar não adianta, mas nem por isso deixo minha alma controladora e fora que essa história de submissão a marido não está com nada né? Não é a toa que no auge da exibição da novelinha, eu com meus 7 anos pedi à mamãe que me deixasse cortar o cabelo Chanel e desde então passei a amar a década de 1920.

Catarina e Petrucchio à moda brasileira

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